paz-barquinho

Fruto do Espírito – Paz 

A paz pode ter vários significado. A paz que o mundo tem e busca é fruto de um bem-estar físico, social, intelectual, emocional e financeiro, não é a mesma paz que corresponde ao fruto do Espírito (Jo 14.27). Uma pessoa normal diz que está em paz quando tudo ao seu redor esta em harmonia. A paz como fruto do Espírito não é assim.

A exemplo da alegria, a paz de que falamos vem da certeza que uma vez perdoados podemos nos achegar a Deus sem temer sermos repreendidos em sua ira. É a convicção de que não há nada que possa nos separa do seu amor (Rm 5.1,2; 8.38,39). O mundo não conhece esta paz (Rm 3.10-17)

Essa paz não pode ser explicada racionalmente (Fp. 4.7), mas quando é alcançada nos dá segurança e descanso sem iguais em Cristo, o príncipe da Paz (Is 9.6). É um atributo tão importante para a igreja que aparece cerca de 90 vezes no Novo Testamento e fica evidente o desejo dos apóstolos de que a igreja a alcançasse e conservasse porque fazia parte da saudação em suas cartas (Rm 1.7; 1 Co 1.3; Gl 1.2; 2 Pe 1.2; 2 Jo 1.3; 1 Ts 1.1; Tt 1.4; Ap 1.4). Junto com alegria e justiça identifica o reino de Deus (Rm 14.17). Ela é a base para praticarmos a justiça (Tg 3.18) e deve orientar nossas ações (Cl 3.15). Devemos nos esforçar para que ela alcance nosso relacionamento com todos os que estão ao nosso redor (Hb 12.14; 1 Pe 3.11), mesmo sabendo que nem sempre isso é possível porque depende do outro (Mt 10.12,13), contudo mesmo que ele não queira ter paz comigo eu preciso ter paz com ele. Isso lhe parece estranho? Se não fosse assim o conselho do escritor aos Hebreus não seria que devemos perseguir a paz, buscá-la com insistência, cuidando para que a amargura não nos prive da graça de Deus e por consequência roube nossa paz (Hb 12.14,15).

Um bom exemplo dessa paz pode ser vista na história de Policarpo, que foi discípulo do apóstolo João e bispo de Esmirna por volta de 157. A tradição cristã diz que ao ser preso por soldados romanos convidou-os para jantar, mesmo sabendo que seria conduzido por eles ao tribunal e que ali seria sentenciado a morte na fogueira. Antes de seu martírio o juiz ofereceu-lhe a liberdade com a condição de que negasse a Cristo, mas Policarpo respondeu que a paz que havia em seu coração fazia com que não temesse as chamase acrescentou que os soldados faziam um favor a Deus, que queria recebê-lo junto a Si.

Como os demais aspectos do fruto do Espírito, a paz vem de nossos relacionamento com Cristo (Jo 15.1-8). A medida que O conhecemos e desenvolvemos nossa confiança nEle também desenvolvemos esse fruto. Charles Spurgeon, um dos mais brilhantes pregadores batistas do século XIX, disse “Olhei para Cristo, e a pomba voou para dentro do meu coração, olhei para a pomba, e ela voou embora. Devemos olhar para Cristo o possuidor da paz, e ela vira para dentro de nós.”

Essa paz só se torna evidente em meio a graves problemas, quando o natural seria entregar-se ao desespero. O primeiro passo para o desenvolvimento desta paz é chegar-se a Deus (Jo 22.21), confiar que Ele tem o controle de tudo (1Cr 29.11-12; Pv 21.30; Sl 135.5-6) e aprender a descansar nEle (Sl 37.5; 46.10). Todas as nossas decisões precisam refletir nisso. Para exercitar podemos assumir o compromisso de antes de responder a qualquer situação, por mais inesperada ou negativa que seja, primeiro lembrar que Deus está no controle e se Ele permitiu é porque, como Ele cuida de nós, a longo prazo será o melhor e ao final daremos graças a Ele por tudo (1 Ts 5.18). Então, mesmo que não entendamos, a exemplo de Jó, demos glórias a Ele mesmo pelas situações adversas (Jó 1.20,21) que nos causam tristeza. Não é fácil, mas é possível, apenas creia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *