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Fruto do Espírito – Mansidão

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” (Mt 5.5) Todos conhecem esta afirmação de Jesus, que faz parte de sua preleção mais famosa, o sermão do monte. Ele faz uma alusão ao Salmo 37.11, que compara o proceder o ímpio e do justo e o desfecho de ambos. Considerando que este salmo usa duas figuras de linguagem próprias da poesia judaica, a antítese e a sinonímia, vemos que a mansidão e própria daqueles que depositam em Deus sua confiança, porque sabem que Ele não os desamparará e isso os faz aquietar e descansar nEle.

No original a palavra mansidão em Gl 5.23 é praotés, e pode ser traduzida também como gentil ou suave. O uso secular desta palavra indicava aquele que não se dá a ira. Aristóteles considerava que esta virtude é o ponto de equilíbrio entre a ira extrema e a total falta dela. A raiz da palavra também era usada para indicar que um animal era domesticado, o que aponta para aquele que aceita as ordens de outrem. Podemos dizer que a mansidão enquanto fruto do Espírito nos leva a ter domínio próprio e aceitar o controle de Deus sobre nossas vidas.

Além de total confiança em Deus e submissão a sua vontade, ser manso exige que neguemos a nós mesmo, procurando agradar e suportar os outros (Ef 4.1-3; Cl 3.12-14), sem nos preocuparmos em nos defender ou nos justificar frente a acusações que os outros nos fazem porque confiamos que o Senhor nos justifica (Rm 8.33)

Mansidão em nada tem a ver com fraqueza ou covardia. Depois de Jesus (Mt 11.29), o maior exemplo de mansidão na Bíblia e Moisés, que mesmo sendo o homem mais manso da terra (Nm 12.3) demonstrou coragem e ousadia para libertar o povo e mais tarde irou-se vendo os pecados do povo. Também não é passividade frente aos erros, veja que Jesus expulsa os mercadores do templo em Jerusalém (Mt 21.12,13). Não são poucas as recomendações no Novo Testamento para que busquemos ser mansos no trato com o todos (Cl 3.12; 1 Tm 6.11; Tt 3.2). Também deve agir com mansidão quando é necessária aplicar a disciplina na igreja (1 Co 4.21; Gl 6.1; 2 Tm 2.25).

A mansidão pode ser vista através de nosso relacionamento com nosso próximo e de como reagimos a situações que a vida nos impõe. Uma forma de medirmos como anda nossa mansidão e observar no nosso dia a dia se nos irritamos facilmente ou se estamos sempre prontos a revidar os ataques que sofremos. Procure passar um dia tendo em mente que três premissas: o Senhor é o justo juiz; o Senhor tem o controle de tudo e todos; o Senhor espera que eu confie nEle. Lembrar disso na próxima vez que zombarem de nós ou que nos contradizerem acerca da veracidade de nossa fé pode nos ajudar a agir com mais mansidão.

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