Sem Título-2

DIP – Domingo da Igreja Perseguida

Igreja Perseguida Existe?

Domingo dia 22 de maio de 2016, realizou-se na 1ª Assembleia de Deus em Miguel Couto o Domingo da Igreja Perseguida (DIP), um evento promovido e divulgado pela Missão Portas Abertas. O objetivo deste evento é promover um dia de reflexão e oração pela condição de perseguição vivenciada por mais de 100 milhões de cristãos em mais de 50 países.

Foi a primeira vez que a nossa igreja promoveu o DIP, e confesso que particularmente não estava com grandes expectativas sobre o evento. Mas minha oração ao logo das semanas que antecederam o dia foi “Deus, por favor, me surpreenda!” e Ele ouviu minhas suplicas.

Organizamo-nos para que a Escola Bíblica Dominical desenvolvesse em todas as classes o tema proposto pela Portas Abertas, então cada classe do departamento infanto juvenil recebeu material próprio para as faixas etárias e os professores desenvolveram as atividades com maestria.

Na Escola Bíblica organizou-se uma classe única jovens e adultos com uma palestra despertando a cada presente para a realidade da perseguição e o que podemos aprender com os cristãos perseguidos. No culto a noite houve a apresentação de peça e uma mensagem expositiva sobre a realidade da Igreja Perseguida.

Analisando tudo que foi falado e realizado, acredito que a condição dos cristãos perseguidos deveria nos mover mais profundamente, pois a quem é mais dado mais será cobrado. “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá” (Lc 12.48). Temos tamanha liberdade de culto e de expressão, podemos – ainda – compartilhar nossa fé das mais variadas formas e entre os mais variados grupos sociais sem sofrer retaliação ou repressão. Temos gozado não só da liberdade para exercer nossa fé, mas também gozado de certo status enquanto grupo social que representa mais de 30% da população brasileira e, se generalizarmos um pouco, podemos dizer que somos um país considerado cristão, com 86,8% da população, segundo dados do IBGE de 2012.

Hoje, ser evangélico no Brasil é uma condição de certo privilégio, e como temos nos utilizado desse “privilégio”? Temos nossas representações nos mais variados setores da sociedade, desde políticos à artistas, e o no que o Reino de Deus tem sido acrescentado por conta disso? Como estamos conduzindo nossa conduta e caráter cristão nesses dias?

Outro ponto que nos despertou o DIP é que se gozamos de liberdade ela não pode ser vista como garantia eterna. Vivemos dias difíceis e as sociedades mudam através das décadas. A roda da vida vai girando e quem se considera hoje por cima, tenha certeza que esta posição se reverte. Será que estamos preparados para os reveses da vida? Temos nos preparado de forma intelectual, prática e espiritual? Como nos posicionaríamos em caso de perseguição religiosa aqui no Brasil? Esconder-nos-íamos aterrorizados, enfraqueceríamos nas obras de caridade e assistência? Fugiríamos e\ou tentaríamos nos esconder? Sorriríamos e nos conformaríamos frente à perseguição?

Outro fato importantíssimo que marcou esse primeiro DIP é a quantidade de refugiados que o Brasil está recebendo a cada mês. Famílias de várias nacionalidades tem buscado residência entre nós, e um dos maiores grupos que tem recebido visto são de sírios, mais de 2.000 estão vivendo, trabalhando, estudando entre nós e sem nenhum desejo de retornar ao seu país de origem quando a crise de lá passar. Segundo o Rev. Ronaldo Lidório da Igreja Presbiteriana, além desta nacionalidade outras 99 estão fixando residência entre nós e 27 delas pertence ao bloco onde os cristãos sofrem perseguição. Será que a Igreja brasileira está pronta para receber, acolher, compartilhar Cristo Jesus para esse povo? Atrevo-me a responder que não, ainda não…

O DIP nos fez refletir sobre que tipo de cristianismo nós estamos vivenciando aqui e como nossa postura afeta o desenvolvimento do Reino de Deus e o que precisamos buscar de transformação para nossa vida como sinal de preparação para cumprirmos o Ide de Cristo. Minha sincera oração é que os princípios que norteiam a vida de milhões de cristãos perseguidos possam ser os mesmos que norteiam a minha vida e a vida de cada irmão e irmã que se reúnem comigo a cada domingo para adorar com tanta liberdade, mas sem a mínima consciência da mesma.

 

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